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Para não surtar: 4 dicas de uma psicanalista para cuidar da saúde mental

— Crédito: Imagem: Wavebreakmedia/Shutterstock

A busca por estabilidade emocional em uma sociedade pautada pela produtividade extrema tem gerado o efeito inverso: o aumento da desorganização psíquica. Maria Luiza, psicóloga social e psicanalista do projeto Campo Psicanalítico, defende que a saúde mental não pode ser tratada como um produto de prateleira.

Abaixo, a especialista detalha quatro eixos centrais para compreender o equilíbrio emocional sem cair nas armadilhas da performance.

1. Pratique atividades físicas, mas ignore a performance

Para a psicanalista, o exercício deve ser uma ferramenta de autoconhecimento, não uma obrigação estética. Ela alerta que a relação com o corpo não deve servir para “responder aos mandamentos de performance, tão disseminados na nossa sociedade atualmente”.

“Esses mandamentos são muito duros e promovem muito sofrimento, ou mesmo [a tentativa de] alcançar, o que é da ordem imaginária, o corpo imposto como ideal. Essas duas posições diante de atividades podem e são, muitas vezes, fruto de grande sofrimento aos sujeitos, como os desorganizam psiquicamente.”

2. Desconstrua a noção genérica de “gatilho”

Maria Luiza aponta um perigo na banalização do termo “gatilho”, que se tornou um conceito vazio entre os jovens. A recomendação é a individualização do sintoma: entender o que aquela perturbação específica diz sobre a história de cada um.

“É preciso, e isso só é possível de ser feito a cada um, buscar entender o que se quer dizer quando se diz que algo é um ‘gatilho’ e o que faz com que esse algo cause tal perturbação. É importante buscar ajuda profissional, terapêutica, a fim de entender, nas minúcias, o que faz desse algo um ponto de sofrimento.”

3. Rejeite receitas prontas de “micro prazeres”

A especialista é enfática ao criticar a “era dos coaches” e a promessa de felicidade sistematizada. Segundo ela, o prazer não pode ser terceirizado ou ensinado por meio de listas prontas, pois isso anula a potência do sujeito.

“É muito sintomático, estamos na era dos coaches, das ‘receitas prontas’. Cada vez mais, cai-se no engodo de que um outro pode nos dizer onde encontraremos ‘micro prazeres’ ou ‘prazeres macros’. O interessante, e que mantém a vida em sua máxima potência, viva, é que cada um possa encontrar o que lhe dá prazer, o que lhe serve ou não para tornar a própria vida mais interessante.”

4. Monitore o isolamento social como mecanismo de defesa

O desejo de ficar sozinho deve ser avaliado com cautela. Enquanto o descanso é legítimo, o isolamento que visa evitar o outro é um sinal clínico importante que não deve ser ignorado.

“Nós analistas ficamos com as orelhas atentas quando esse desejo de estar sozinho está atrelado a uma dificuldade de relação com os outros. Quando estar sozinho significa se defender de ambientes sociais, de interagir, quando há um sofrimento que perpassa esses momentos, é interessante que se possa começar a entender e a cuidar de tal sofrimento.” (Correio 24h)


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