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Minha Serenata de Amor

Paulo Cabral é advogado, cronista e contista (Foto: Ubatã Notícias)

A gente nem sonha mais.

A gente nem se lembra de olhar para o céu.

A gente nem sabe se existem estrelas no céu à noite. Porque nem olha mais para elas.

Esqueceu de até de olhar a lua.

Nem mais uma serenata.

Nem mais uma cantiga de amor.

Eu queria mesmo acreditar que um dia São Jorge matou o dragão, a fera ameaçadora.

Eu queria acreditar que ele ainda mora na lua e vive eternamente montado no seu lindo corcel, matando dragões pela eternidade a fora.

Os nossos dragões que nos assustam à noite.

Eu não sei porque a gente precisa acordar e sair destes sonhos tão lindos e tenha que acreditar na chamada realidade.

Mas quando passar tudo. Quando outra vez a gente puder respirar sem máscaras. Quando a gente puder se abraçar sem medo.

Quando a gente puder se beijar.

Quando a gente puder cantar outra vez uma linda canção de amor.

Eu juro que vou pegar um bom violão. Um que tenha o dom e a paciência de acompanhar a gente. Quem sabe meu amigo Medo. E sair pelas ruas outra vez e relembrar das antigas serenatas que há tanto tempo a gente fazia para a mulher amada. De noite, no frio da madrugada. Cantar, mesmo que a gente não tenha voz. Uma cantiga bonita, uma canção de amor…

Celebrando a vida que voltou.

Fazer outra vez uma linda serenata como nos velhos tempos ..

Uma serenata de amor.


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